A travesti Jucinei Ribeiro Padilha, conhecida como Priscila, 21 anos, morreu após aplicar cinco litros de silicone industrial em Campo Grande. O seu pai, o aposentado Jorge Luiz Siqueira, 51, registrou boletim de ocorrência e espera a investigação da Polícia Civil para punir os culpados pelo crime.
Conforme depoimento de duas amigas da vítima, Priscila pretendia aplicar seis litros do produto, considerado perigoso, nas nádegas, quadril e pernas. O custo da aplicação foi de R$ 2 mil. No entanto, na “clínica” de outra travesti, identificada como Érica, ela acabou recebendo apenas cinco litros do produto no dia 25 de janeiro deste ano.
Como começou a sentir muitas dores, desistiu de aplicar o restante e voltou para casa. Uma semana depois, uma amiga a encontrou passando mal, na Avenida Fábio Zahran (Via Morena), na Vila Carvalho, e acionou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).
Encaminhada ao hospital, Priscila foi internada no sábado (30 de janeiro) e faleceu, em decorrência de falência múltipla dos órgãos, na terça-feira (2) passada. Siqueira contou que ficou chocado com a morte do filho. “Eu não morava com ele, mas tinha bastante contato”, revelou.
“Espero que a polícia investigue”, comentou, na esperança de se fazer Justiça. O uso de silicone industrial é considerado inadequado para a utilização em seres humanos e é usado pelas travestis em outras regiões do País, que acabam registrando mortes em decorrência do produto.
Beleza – “Toda travesti quer ter corpo bonito de mulher”, comentou uma travesti, que pediu para não ter a identidade revelada. “Ela queria fazer tudo de uma vez”, lamentou Vanessa, uma travesti que dividia a casa com Priscila. Ela colocou silicone há 11 anos e não teve problemas.
No orkut, site de relacionamento na internet, de Priscila, vários amigos deixaram mensagens de adeus e despedida.
Segundo uma das travestis entrevistas pelo Campo Grande News, esta não é a primeira morte de travesti causada pelo uso de silicone industrial. Em 2001, uma travesti identificada como Kátia Palio morreu em decorrência, mas a Polícia Civil não quis investigar o caso.
Erica, acusada de ter aplicado o produto em Priscila, também teria feito outra vítima, em Dourados. Neste caso, a vítima ficou sem andar por seis meses, mas sobreviveu ao silicone industrial.
Procurada pelo Campo Grande News, Érica afirmou que não conhecia Priscila e não poderia falar sobre o caso.
Outros casos ocorrem no País. Em 18 de fevereiro do ano passado, uma travesti morreu em Franca (SP) após aplicar silicone industrial. Robson Daniel Campos das Chagas, a Raíssa, tinha 25 anos.
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