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À espera da justiça, Santa Casa abre o 4º ano de disputa
Aline dos Santos e Adriany Vital
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Marcelo Victor
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Sem saber de disputa pela direção do hospital, Rosa Alice Soriano elogia Santa Casa mas diz que atendimento é tumultuado. |
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Apesar do desconhecimento da maioria da população, a Santa Casa, maior hospital público do Estado, se vê às vésperas de uma importante decisão: a prorrogação ou não da intervenção judicial.
O impasse compromete, inclusive, negociação com os médicos que suspenderam parte das consultas e cirugias eletivas, em busca de melhor remuneração pelo SUS. "Não podemos negociar sem saber que dará continuidade ao trabalho", justifica o secretário de Saúde, Luiz Henrique Mandetta.
Há quatro anos, em janeiro, de 2005, o cenário era de salário atrasado e portas do Pronto-Socorro fechadas para novos pacientes. A prefeitura decretou intervenção, tirando o comando da unidade hospitalar da ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande). Desde então, a intervenção se arrasta e a cada ano ganha mais polêmica.
Da trincheira, a ABCG ataca. Em documento enviado à justiça, a associação afirma que a dívida do hospital saltou de R$ 37 milhões para 57,8 milhões. Ao passo que a quantidade de atendimentos diminuiu de 27.992 internações para 22.817.
Em síntese, a ABCG evoca dois argumentos para que a intervenção não prossiga: Estado e município não conseguiram sanear as finanças e a falta de resultados com a gestão profissional. No ano passado, em cumprimento à determinação judicial, a Santa Casa contratou a consultoria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Tempo – Defensor da prorrogação da intervenção judicial, Mandetta, enfatiza que é preciso mais tempo para equilibrar a Santa Casa.
“Nossa posição já é pra lá de conhecida. A Santa Casa tem muito que ser aprimorada”. Sobre a Unifesp, Mandetta salienta que a implantação da gestão profissional segue um processo, por isso os resultados ainda não são perceptíveis.
“Começa com o diagnóstico interno, depois faz o situacional. Depois tem a análise setor por setor, a fase do planejamento estratégico. É um processo até chegar onde você quer”, defende.
O MPE (Ministério Público Estadual) - autor do pedido de intervenção junto com MPF (Ministério Público Federal) e MPT (Ministério Público do Trabalho) – também defende que o controle do hospital permaneça com a junta interventora.
“A Santa Casa tem problemas complexos, que você não consegue resolver de um dia para o outro nem de um ano para o outro”, afirma o procurador Mauri Valentim Ricciotti.
A decisão do juiz Dorival Moreira dos Santos, da Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, é aguardada ainda para janeiro.
Avaliação – Da teoria à prática, o futuro da Santa Casa interfere na vida de centenas de pessoas. Rosa Maria Bato, de 58 anos, desconhecia a intervenção. Mas foi no hospital que encontrou atendimento para o neto Marcelo, de 19 anos.
Em novembro do ano passado, em Sidrolândia, o rapaz levou um tiro nas costas e foi internado na Santa Casa de Campo Grande. Hoje, ele faz consultas de acompanhamento. Rosa Maria avalia que o neto foi bem atendido e destacou a atenção que recebeu dos médicos e enfermeiros.
Para Ramona da Conceição, de 38 anos, o atendimento é ótimo. “Só acho muito tumultuado. Muita gente procura a Santa Casa”, afirma.
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