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Pais conseguem na Justiça direito de operar filha
Terça-feira, 11 de Março de 2008 17:02 Reportar erro | Comentários(226)
Ângela Kempfer
Arquivo da família
Mãe de Isabela acompanha filha há 4 meses no hospital

Os últimos meses são puro sofrimento para os pais de Isabella, nascida em 11 de novembro passado. A menina só ganhou direito à vida após uma briga judicial entre a família e a Unimed Campo Grande. A justiça de São Paulo concedeu uma liminar obrigando a Unimed a pagar o tratamento contra uma doença rara no coração, em um hospital paulista referência em cirurgias cardíacas. Em menos de 24 horas após o parto Isabella foi operada duas vezes. “Agora está quase na hora dela fazer mais uma cirurgia do coração, nesse intervalo ela já teve 3 paradas cardíacas, mas contínua lutando firme e forte”, diz a mãe Andréia Schaffner.  

O medo da família é que a Unimed consiga reverter a decisão judicial, e a menina morra por falta de dinheiro para o tratamento particular. A dor começou muito antes, ainda durante a gestão. Médicos diagnosticaram que o bebê tinha hipoplasia cardíaca, ou seja, o coração não se desenvolveu como deveria.

A sobrevivência dependeria de cirurgias, uma ainda nas primeiras horas após o parto. Desesperados, os pais pesquisaram, consultaram especialistas e descobriam que apenas um médico no Brasil poderia fazer a cirurgia com sucesso. Começava ali uma disputa sobre quem arcaria com as despesas.

O especialista José Pedro da Silva foi o escolhido, com mais de noventa casos de crianças que sobreviveram apesar de terem a doença. O problema é que o hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, referência em cirurgias cardíacas não é conveniado com a Unimed, que negou pagar pelos procedimentos. Os pais dizem que pediram então a indicação de um médico que tivesse bons resultados em Hipoplasia, aqui em Campo Grande, ou em algum outro hospital conveniado,  mas a Unimed não teria indicado ninguém. “O problema deles é não gastar. Procuramos outras mães que tiveram filhos com o mesmo problema da Isabella e percebemos o quanto é comum um plano de saúde simplesmente nos deixar sem uma solução quando mais precisamos.”

Certos de que a única chance da filha era a cirurgia com alguém experiente, os pais decidiram apelar para ação judicial. A vitória garantiu o pagamento do parto e da primeira operação em Isabela, mas agora o plano de saúde recorreu e a continuidade do tratamento corre risco.

Depois de 10 anos de casamento, Andréia decidiu ser mão e aos 28 anos passa dias e noites ao lado de Isabella, agora com 4 meses. “Soube do problema dela aos 4 meses de gestação, os médicos me colocaram o aborto como opção, dizendo que qualquer juiz concederia, mas como eu iria fazer uma coisa dessa com a minha filha?”, lembra Andréia.

Ela relata que as cirurgias são muito arriscadas. A menina precisava fazer três: uma em 48 horas após o nascimento, a segunda entre 3 e 4 meses e a ultima com 2 anos. “O tratamento existe há aproximadamente 8 anos no Brasil, antes disso todas as crianças morriam”, conta a mãe.Mesmo com as intervenções, a certeza de vida para Isabela não existe, a chance é de 85% de sobrevida.  “Estou indignada em ver como o materialismo se sobrepõe a tudo, inclusive a vida. Sei que pra eles o que importa é vender o plano e quem é a Isabella pra Unimed. Pra mim ela é a minha vida”, diz a mãe.

Na Unimed Campo Grande, a assessoria pediu tempo para verificar o caso, mas não retornou a solicitação.



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