O esquema montado pelos empresários Everaldo e Eduarte Dias Leite para fraudar licitações com ajuda de servidores públicos “colaborou” com candidatos nas eleições de 2008 e arrumou emprego para apadrinhados políticos de vereadores e até de funcionários da prefeitura.
As denúncias estão no relatório sobre a Operação Brothers, desencadeada pela Polícia Federal durante as investigações da Operação Owari, que desmantelou a organização chefiada pelo empresário Sizuo Uemura.
No dia 8 de janeiro deste ano a Polícia Federal interceptou uma ligação em que Eduarte avisa Everaldo que precisa arrumar emprego para as pessoas incluídas em uma lista passada pela vereadora Délia Razuk (PMDB). Ele manda o irmão contratar os indicados, mas avisa que só é para mantê-los se eles trabalharem.
Délia Razuk pertencia à base aliada do prefeito Ari Artuzi (PDT) na Câmara, mas saiu da bancada de situação no dia 13 deste mês, seis dias após a PF prender nove servidores municipais acusados de ligação com as organizações de Sizuo Uemura e dos irmãos Dias Leite.
Campanha - No dia 7 de maio de 2008, Everaldo Dias Leite ligou para a ex-vereadora e ex-deputada estadual Bela Barros, para pedir ajuda para cancelar uma multa aplicada pela Guarda Municipal ao condutor um Fiat Uno por falar ao celular enquanto dirigia. O carro estava registrado em nome de Eduarte Dias Leite.
Na conversa, Everaldo pede ajuda de Bela Barros para, pelo menos, evitar que os pontos sejam cadastrados na carteira de habilitação de Eduarte. Bela pede que o empresário “esconda” a multa que ela passaria no local onde ele estava para pegar a notificação.
No dia 13 de maio do ano passado, Bela Barros ligou para Everaldo Dias Leite para pedir um caminhão para fazer uma mudança de Dourados ao distrito de Itahum (distante 60 km da cidade).
O empresário reclama da distância e diz que não poderia atender. Bela lamenta: “Pelo amor de Deus, eu já estou fazendo a maior propaganda sua com o Murilo, tá bicho? Você não vem me decepcionar, não”.
Filiada ao PMDB, a ex-vereadora foi candidata à vice-prefeita na chapa que teve vice-governador Murilo Zauith (DEM) como candidato a prefeito de Dourados no ano passado.
Dois dias depois, Bela liga de novo para Everaldo e cobra uma definição sobre o caminhão:
Everaldo – O Bela.
Bela – Ah, que bom que você atendeu. Eu preciso falar com você, pelo amor de Deus.
Everaldo - Tô aqui na firma.
Bela - Então, você sabe o que que é? Minha mudança, o bicho... o caminhão da mudança pra sábado ou pra domingo, não tem problema.
Everaldo – Ai ai ai.
Bela – Você vai ter que dar ..., é pro Murilo. Você tem que fazer. Você quis fazer pro Murilo, agora você aguenta.
Everaldo – Hahahahaha.
Bela – Você que ficou lá falando, eu já falei pra ele que você que falou, que se não fosse nossa amizade tava acabada.
Everaldo – Ai ai ai. Eu vou da uma olhada, Bela, nesse negócio aí, mas é difícil fazer essa mudança lá, viu. Eu não to tendo caminhão mesmo. Eu to com dois caminhões batidos, to até alugando um caminhão.
Bela - Então, aluga aluga logo.
Everaldo - É, mas aí eu pago pros outros, aí é caro. Eu vou ver e do uma ligada pra você, mas ta brabo isso aí.
Bela - Mas pelo amor de Deus, a mulher tá me esperando, fica me ligando toda hora.
Everaldo - Eu vou ver isso aí.
Bela - Pelo amor de Deus, arruma aí. E a minha gasolina eu já vou pegar aí, que já tô sem de novo.
Everaldo – Tá, mas mais tarde isso aí, ta?
Bela – Tá, tá, mas escuta, mais tarde você fala hoje mais tarde?
Everaldo – É, isso aí.
Bela – Tá. Mas olha, vou falar a verdade pra você. Mais importante esse caminhão ainda, pelo amor de Deus.
Everaldo – entã ta jóia.
Bela - Então tá. Senão você, senão você...eu vou ter que alugar um e você paga.
Everaldo – Tá.
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