Os irmãos Eduarte e Everaldo Dias Leite, investigados em duas operações da Polícia Federal, teriam obtido financiamento da Caixa Econômica Federal para construções, mas aplicaram o dinheiro como capital de giro de suas empresas, configurando crimes contra o sistema financeiro nacional e contra a ordem tributária. Os indícios estão sendo investigados pela Operação Brothers, iniciada pela PF após a prisão dos irmãos durante a Operação Owari, que levou 42 pessoas para a cadeia na semana passada.
Conversas entre Eduarte Dias Leite e um funcionário da Caixa, identificado como Paulo, interceptadas por escutas da Polícia Federal, indicam que os empresários obtêm financiamento de forma fraudulenta e ainda destinam o dinheiro para outros fins. “Fica clara que há uma verdadeira confusão entre as contas das diversas empresas dos irmãos Dias Leite e das pessoas físicas, sendo o dinheiro transferido de uma para outra conforme a necessidade de caixa. Dessa forma, o dinheiro obtido para construção acaba servindo de capital de giro”, diz o relatório das investigações, assinado pelo delegado Bráulio Cezar Galloni.
Apesar de indícios de outros crimes, como sonegação de contribuição previdenciária, a Polícia Federal afirma que a principal atividade ilícita dos irmãos Dias Leite, assim como da família Uemura, é fraude em licitações. O operador desse esquema, segundo a PF, é Everaldo Dias Leite, mas que agiria com total conhecimento e apoio do irmão.
A estratégia do grupo, segundo a PF, era basicamente utilizar empresas de terceiros para derrubar o preço oferecido nos processos de licitação. Vencedoras das licitações, essas empresas desistiam do contrato alegando que não haveria vantagem financeira e o serviço sobrava para as empresas dos irmãos Dias Leite – algumas delas mantidas em nomes de “laranjas”, como a MultiServ Prestadora de Serviços.
UFGD – A Polícia Federal também acusa os irmãos Eduarte e Everaldo Dias Leite de cometer superfaturamento e falsidade ideológica na prestação de serviços para a UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados). A investigação descobriu que Everaldo mandou informações falsas ao Ministério do Planejamento para justificar o valor cobrado por serviços prestados à universidade. |