A coordenação nacional do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) defendeu hoje em nota à imprensa intervenção federal em Mato Grosso do Sul por conta da violência contra índios no Estado e diante do que considera ações do governo para impedir que os grupos de trabalho criados pela Funai. Realizem os estudos antropológicos para demarcação de território guarani-kaiowá.
“Indignamo-nos também com o descaso do Governo Federal que nada faz diante dos ataques praticados por agentes de segurança dos fazendeiros contra comunidades indígenas; com a falta de segurança aos grupos de trabalho que desenvolvem os estudos de identificação das áreas; e com a morosidade na execução dos procedimentos de demarcação das terras naquele estado, conforme determinam as portarias do órgão indigenista”, protesta a entidade.
Como argumento para a intervenção, alguns casos são citados como o que ocorreu no mês de outubro, quando barracos foram queimados nas comunidades Laranjeira Ñanderu e Apyaka´y. Na ocasião, o indígena Eugênio Gonçalves, de 62 anos, foi baleado,lembra o Cimi.
“O Cimi, que defende o Estado Democrático de Direito, aponta para a necessidade de uma intervenção federal em Mato Grosso do Sul, como única forma de conter o processo de genocídio contra os povos indígenas iniciado naquela unidade da federação e garantir os direitos constitucionais de todos”, diz a coordenação nacional.
Outro relato é sobre confronto em Paranhos, quando dois professores desapareceram, um deles já foi encontrado morto - Genivaldo Vera. A Polícia ainda procura o corpo de Rolindo Vera.
Sobre Genivaldo, o Cimi detalha que dias depois do sumiço ele “foi encontrado com marcas de violência, preso a um galho de árvore, no córrego Ypoi, distante 30 quilômetros do local do crime”.
Na versão da entidade, a polícia suspendeu as buscas ao outro professor desaparecido, “ao mesmo tempo em que o governador André Puccineli levantou, na imprensa local, a infame suspeita de que o professor não encontrado teria fugido após assassinar o parente, com quem atuava na educação e na reconquista do território de seu povo”.
A entidade de defesa dos direitos indígenas protesta ainda pela desocupação “clandestina” de fazenda em Dois Irmãos do Buritis, no dia 19 de novembro, “Um batalhão da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul protegeu 80 homens armados de uma milícia particular que realizou o despejo de uma comunidade Terena, à revelia da decisão do Tribunal Regional Federal, 3ª Região, que determinou que o povo Terena permanecesse naquelas terras, até que a ação principal movida contra a demarcação fosse julgada”
A preocupação agora é com a situação em Kurussú Ambá, ocupada na noite de 24 de novembro, segundo o Cimi, como uma retomada de parte de seu território tradicional, na divisa entre Amambaí e Coronel Sapucaia.
“De acordo com informações recebidas das lideranças indígenas, em resposta a esta ocupação, na noite de ontem, 25/11, mais de 10 veículos transportando homens armados, acompanhados por viaturas do DOF/Polícia Militar, dispararam dezenas de tiros contra a comunidade e ameaçaram fazer o despejo dos indígenas, à luz do dia e a qualquer custo. Nos anos de 2007 e 2008, somente nessa comunidade, três indígenas foram assassinados sem que nenhuma investigação tenha sido concluída”.
A entidade encerra a nota exigindo ao Ministério da Justiça que investigue, através da Polícia Federal, “os atos de violência e promova o desarmamento das milícias particulares envolvidas em ações contra os povos indígenas, bem como determine que se proceda a uma séria e ampla investigação quanto às ações ilegais de fazendeiros e os denuncie judicialmente. Enfatizamos que a garantia da integridade física dos povos indígenas é responsabilidade do Governo Federal”, conclui.
O Cimi é uma entidade ligada à igreja católica.
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