O diabetes mellitus é uma doença caracterizada pela elevação da taxa de glicose no sangue, ou hiperglicemia, e ocorre devido a defeitos na secreção e/ou na ação da insulina. A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas, e com inúmeras funções, entre elas promover a entrada de glicose nas células, para que possa ser utilizada nas diversas atividades celulares, ou então armazenada como fonte de energia.
A maior parte dos casos de diabetes é classificada em dois tipos: o diabetes tipo 1 e o diabetes tipo 2. O diabetes tipo 1 é resultado da destruição das células pancreáticas produtoras de insulina por um processo imunológico, e é caracterizado por deficiência completa da produção de insulina. O diabetes tipo 2, que representa a maior parte dos casos da doença, está relacionado a dois fatores: (i) a dificuldade da insulina em exercer seus efeitos, o que é conhecido como resistência à insulina, e (ii) a produção insuficiente de insulina pelo pâncreas para compensar a resistência à sua ação.
Embora as causas do diabetes tipo 2 não sejam completamente definidas, sabe-se que fatores ambientais e hereditários estão envolvidos em seu desenvolvimento. Os fatores ambientais, em especial aqueles relacionados à obesidade, como hábitos alimentares inadequados e sedentarismo, são considerados os principais determinantes da epidemia da doença observada nos últimos anos.
O diabetes representa hoje um importante problema de saúde individual e populacional, não apenas pelo aumento global de sua frequência, em proporções epidêmicas, mas também pelas complicações debilitantes que pode determinar, entre elas cegueira, insuficiência renal, amputações não traumáticas e doenças cardiovasculares.
Em todo o mundo, estima-se que pelo menos 245 milhões de pessoas sejam portadoras de diabetes, e um elevado percentual delas vive em países considerados “em desenvolvimento”, como é o caso do Brasil, onde a doença ocorre em pelo menos 11% da população. O diabetes é também uma das principais causas de morte prematura em todo o mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a cada 10 segundos ocorre uma morte por problemas relacionados ao diabetes.
Tão importante quanto o reconhecimento dos riscos relacionados ao diabetes é a informação de que manter um bom controle da taxa de glicose no sangue, por meio de modificações dos hábitos de vida e do tratamento com medicamentos, resulta em diminuição significativa do risco de desenvolvimento de complicações da doença, e em melhora da qualidade de vida, como já ficou evidente em diversos estudos científicos.
No Dia Mundial de Diabetes, comemorado em 14 de novembro, diversas instituições relacionadas ao estudo da doença, em 155 diferentes países, unem-se em apoio aos portadores de diabetes e para divulgar informações sobre a doença. A representação desta data é um círculo de cor azul, que simboliza a vida e a saúde em diversas culturas, e reforça a noção de que o diabetes bem controlado é compatível com uma boa saúde.
(*) Angélica Amorim Amato é médica endocrinologista, coordenadora do Ambulatório de Diabetes do Hospital Universitário de Brasília (HUB).
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